Eram 15:00hs daquela tarde de Primavera...
O vento soprava tão forte, seu barulho assustava...
O sol teimava em sair por detrás daquelas nuvens branquinhas e fofas, depois de quase uma semana em tons de cinza. Cinzas claros e escuros, fuligem de ônibus e carros, queimadas ao tempo, levadas as cinzas, no vento jogadas...
Mar que me recebe, que me possui, me eterniza...O barulho das ondas, que agora sei, era a minha mais forte lembrança.
Lembranças que hoje me veêm a mente quando penso no que foi, no que fui, no que ficou...
Ficaram.
Ficaram as impressões que deixei, os amores que amei, os desejos que desejei, as palavras que proferi.
A vida eu recebi na madrugada, aos 45 minutos do dia 11, naquele outono do mês de maio...Ah, como foi generosa a Vida...
Vida que experimentei, que saboreei, que me deliciou...Momentos bons e ruins que vivi, de forma tão intensa. Quantas vezes voei...Quantas mergulhei, voltei, me perdi...
Caminhos sinuosos eu corri, eu passei, eu parei.
Parei nos olhos do outro, nos carinhos e nos abraços, no prazer do amor eu parei...Eternizado momento de plenitude, de gozo, de êxtase que sinto agora, na leveza de ser e não estar, de existir simplesmente, de ter existido.
Te vejo, você não me vê. Saudade.
Dia a dia sentido, curtido e malhado, no trabalho que me realizou, me fez gente, me fez existir para o mundo.
Pessoas que vejo passar, que passaram um dia por mim, eu vejo... Eles não me veêm, mas sentem. Saudade.
Poeira que se espalha e se perde, que integra, que faz parte, de mim e de você, de todos, desse mundo que vivi.
É dourada. A poeira que o sol reflete, plena, densa e ao mesmo tempo tão efêmera, voa, se espalha, e fecunda, germina.
Nasce em ti as lembranças, do que fui e o que fomos, juntos, separados ficamos...
Lembranças dos cheiros que me transportam, numa viagem de sensações. Pé no chão, chuva na pele, cabelo molhado, lágrima que rola, no frio, no calor de um abraço ficou. Ficaram.
Ficaram para sempre na memória daqueles que amei e me amaram, que beijei e que me beijaram, eu sinto ainda o cheiro. Teu cheiro, eu sinto, no vento que me carrega as cinzas, do que fui em ti, nele, no outro.
O vento...
Ele sopra ainda, mais forte agora...
Te vejo ir e reconheço, me reconheço em ti, as marcas que deixei, os carinhos que te fiz, eu sei, você também sabe, sente.
Eu vivi.
Mônica Rubini
3 comentários:
Ô Monica, que expressivo seu texto!!!! É um desafio né.... PARABÉNS! Beijotitas!
nossa que lindo.. foi vc mesmo que bolou ??
sabe tá muito bom, mas acho meio triste, assim coo eu acho oesias muito deprê, mas é uma forma de expressão naqueles momentos inspiradores, e ou uma espécie de auto ajuda para a gente sempre se encontrar, se basear se apoiar beijos.. parabéns !!
Essas palavras são para tocar!
São para chorar...
Te eternizar!
um beijo*
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